quarta-feira, 7 de novembro de 2012

FESTIVAL BERLINDA - EXPOSIÇÃO "DIÁLOGOS"




No âmbito do Festival Berlinda vai estar patente ao público, em Berlim, nos meses de outubro/novembro, uma exposição intitulada "Diálogos" dos pintores Manuela Sambo (Angola) e Pedro Boese (Moçambique).
Manuela Sambo nasceu em 1964, mudando-se em 1984 para a República Democrática Alemã, onde o seu interesse pelas artes visuais foi despertado pela consciência das suas origens africanas. Sambo vive e trabalha em Berlim.

MANUELA SAMBO

Pedro Boese nasceu na Beira, Moçambique e estudou artes plásticas na Universidade das Artes de Maastricht, Holanda, onde se graduou em pintura e gravura. De 1998 a 2001 fez uma pós-graduação no Institut fur Kunst im Kontext da Universidade das Artes de Berlim. O circulo e o retângulo têm um significado relevante nas suas pinturas. Como Sambo, vive e trabalha em Berlim.

grides and groves (2010) de Pedro Boese, foto de Jorg Burggraf (Wikipédia)


ONDJAKI NO FESTIVAL BERLINDA


ONDJAKI, foto de Michael Hughes

O poeta e escritor angolano Ondjaki vai ler e apresentar excertos da sua obra e do seu novo romance Os Transparentes, no Festival Berlinda, em Berlim (6/11/2012).
Ondjaki que também se dedica à atividade teatral e à pintura, nasceu em Luanda em 1977. Começou por fazer os seus primeiros estudos em Angola, seguindo, posteriormente, para Lisboa onde se licenciou em Sociologia.
O seu primeiro livro Actu Sanguíneu foi publicado em 2000. A sua obra está traduzida em diversas línguas, entre elas francês, inglês, alemão, italiano, espanhol e chinês. Em 2010, recebeu no Brasil um dos mais importantes prémios literários brasileiros, o prémio Jabuti, na categoria juvenil, com o romance Avó Dezanove e o Segredo do Soviético. Ondjaki mora atualmente no Rio de Janeiro.
Fonte: BERLINDA, blog.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

ALEX LA GUMA (1925-1985) - ESCRITOR SUL-AFRICANO.



Alex La Guma nasceu na Cidade do Cabo, na África do Sul.
Estudou em Trafalgar High School e em Cape Technical College.
Em 1946 filiou-se na Liga da Juventude Comunista e depois no Partido Comunista, onde militou até à sua ilegalização em 1950.
Trabalhou como empregado de escritório, operário, jornalista, e foi um dos 156 réus no Julgamento da traição (1956-61), tendo sido detido em 1960 e esteve sob prisão domiciliária entre 1962 e 1966 e duas vezes na solitária, antes da família emigrar para Londres, em 1966.
Foi membro da Associação dos Escritores Afro-Asiáticos de que foi secretário-geral, entre outros cargos.
Foi representante do Congresso Nacional Africano (ANC), em Havana (1978-1985).
A Walk in the Night (1962) foi o seu primeiro romance, uma novela sob um bairro degradado da Cidade do Cabo, District Six, no qual ele evoca, em descrições dispersas, mas nitidamente concisas. Os romances de La Guma gravam as iniquidades do apartheid, numa linguagem escrupulosamente detalhada de realismo, mas também afirmam uma fé romântica no potencial para a compaixão das suas personagens.
La Guma recebeu o Prémio Lótus para a Literatura, em 1969.
Da sua obra fazem parte diversos contos publicados em diversas  revistas Black Orpheus, Flamingo, The New African, etc., novelas como Um Passeio na Noite e romances como And a Threefold Cord, The Stone Country, In yhe Fog of Seasons' End e Time of the Butcherbird.
Fontes: Wikipédia, Alex La Guma; Alex La Guma (1979), Um Passeio na Noite, Edições 70, Lisboa; Roger Field, Alex La Guma - A Literary Political Biography (foto)

quinta-feira, 19 de julho de 2012

UANHENGA XITU (1924 - ) - ESCRITOR ANGOLANO



O escritor Uanhenga Xitu, nome Kimbundu de Agostinho André Mendes de Carvalho é considerado um dos escritores angolanos mais originais e carismáticos, cuja obra tem vindo a despertar, progressivamente, vários estudos científicos.
Enfermeiro de profissão, Uanhenga Xitu faz parte dos escritores angolanos que, na clandestinidade, contribuíram para a independência de Angola.
Da sua obra fazem parte livros como Mestre Tamoda (1984).
In WIKIPÉDIA, Uanhenga Xitu; Francisco Macongo, Um novo intelectual, no meio da sanzala, 3/3/2010 (foto)

PEPETELA - ESCRITOR ANGOLANO



Na "Folha de S. Paulo" (1/7/2008) pode ler-se uma breve resenha do livro Predadores, de Pepetela, em que este analisa a sociedade angolana, no período de transição que se viveu a partir de 1974. Aí, relaciona-se Pepetela com o escritor brasileiro Jorge Amado:

"Seu estilo simples e direto do relato faz lembrar a escola de Jorge Amado, homenageado de 2006. As temáticas são as mesmas, as trajetórias de seus personagens tocam pontos comuns [a paixão, o poder, o patriarcado, o dinheiro como força motriz e destruidora], e ambos seguem certa linha do engajamento formal na literatura."

In FOLHA DE S. PAULO, 1/7/2008; WIKIPÉDIA; Pepetela (foto)

TAZUARY NKEITA - EM BERLIM







Tazuary Nkeita esteve em Berlim a convite do Instituto das Ciências Asiáticas e Africanas da Universidade de Humboldt. Aí falou da sua obra e do seu mais recente livro, O Último Segredo.

Nessa sessão literária falou-se de tradições, da independência de Angola, do futuro e da passagem do testemunho.

A anfitriã, Prof. Ineke Phaf-Rheinberger, salientou o papel da tradição angolana na elaboração do livro, declarando acerca da personagem principal, Yanda, o seguinte:

"Yanda é uma derivação da figura mítica de Kianda, uma sereia ou espírito das águas, que também é associada à própria capital do país, Luanda, sinal de um país dividido entre a tradição ancestral e a modernidade."

In BERLINDA, 12/7/2012; Ineke Phaf-Rheinberger, "O Último Segredo", revelado em Berlim; ATURA-LITER-ATURA, 31/12/2010

terça-feira, 17 de julho de 2012

JOSÉ EDUARDO AGUALUSA


A revista brasileira VEJA publicou em 4/6/2010 uma entrevista com o escritor angolano José Eduardo Agualusa efetuada no Festival da Mantiqueira, em São Francisco Xavier.
Nela, entre muitas outras coisas fala da importância do ritmo:

"De que maneira a música reverbera no seu texto?
Eu tenho uma preocupação grande com o ritmo e a melodia interna da frase. Tanto que o livro As Mulheres do Meu Pai teve o primeiro parágrafo, que é escrito em prosa, musicado por um cantor português, João Gil. Num primeiro momento, quando ele me contou que havia musicado o texto, eu tomei um susto. Achei que não tinha resultado bem, mas acabei gostando. E fiquei feliz porque mostra que aquilo que escrevo tem alguma melodia, tem algum ritmo. Sempre digo aos tradutores: a única preocupação que eu tenho é de que as frases mantenham o ritmo."


A entrevista é fértil em ironia, como aquela que revela ao falar da pergunta mais absurda que lhe fizeram no Brasil, sobre a situação da escravatura em Angola, à qual respondeu:


"E o que você disse?
Eu disse, Olha, eu acho bom que você tenha colocado essa questão, porque é uma questão tão atual, e é um escândalo que continuem chegando ao Brasil navios carregados de escravos, e a Armada Britânica não consegue fazer nada. A menina ficou chocada e disse, É verdade isso, é verdade?? (Risos.)"
In VEJA, 4/6/2010; WIKIPÉDIA; José Eduardo Agualusa (foto)