quinta-feira, 12 de agosto de 2010

RUY DUARTE CARVALHO (1941-2010)

Faleceu dia 12 de Agosto, na cidade de Swakopmund, na Namíbia, o escritor, poeta, cineasta, artista plástico e antropólogo angolano Ruy Duarte Carvalho. Apesar de ter nascido em Santarém (Portugal), Ruy Duarte Carvalho veio a adoptar a nacionalidade angolana.
Foi Professor na Universidade de Luanda e Professor convidado nas Universidades de Coimbra (Portugal) e S. Paulo (Brasil).
Escreveu cerca de 20 livros que abrangem a poesia, a ficção, as viagens e ensaios. Na sua obra de natureza antropológica figuram Vou lá visitar pastores (1999), sobre os Kuvale, uma sociedade pastoril do sudoeste de Angola; Chão de Oferta (1972); A Decisão da Idade (1976); Observação Directa (2000). No campo ficcional publicou: Actas de Maianga (2003); Os Papéis do Inglês (2000); Como se o Mundo não tivesse Leste (1977); Lavra; Paisagens Propícias; e Desmedida. Recebeu diversos prémios.
Estudou cinema em Londres, tendo realizado diversos documentários sobre a população do sul de Angola. Da sua filmografia constam ainda os filmes Nelisita: narrativas nyaneka, de 1982 e Moia: o recado das Ilhas, realizado em 1989.
in http://www.africa21digital.com/noticia.kmf?cod=10503648&indice=0&canal=403
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ruy_Duarte_de_Carvalho

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

MARCOS NTANGU (1966-2010) - ARTISTA PLÁSTICO

Faleceu, recentemente, o artista plástico angolano Marcos Ntangu, nascido na província do Uíge.
Marcos Ntangu estudou no Instituto Técnico Industrial de Luanda e na Academia de Belas Artes, na República Democrática do Congo. Aprendeu a técnica da pintura sobre veludo com o pintor Pululu, também já falecido.
Era membro da União Nacional dos Artistas Plásticos ( UNAP) desde 1994.
Ntangu recebeu ao longo da sua carreira aos alguns prémios, designadamente o 1.º Prémio da Associação Nacional da República do Congo Brazaville na VII Bienal do CICIBA - Centro Internacional da Civilização Bantu e do Grande Prémio de Ensa-Arte 2006, Luanda.
Os seus quadros encontram-se espalhados por numerosas colecções públicas e privadas, tanto em Angola como no estrangeiro.
in http://www.portalangop.co.ao/motix/pt_pt/noticias/lazer-e-cultura/2010/7/31/Morreu-artista-plastico-angolano-Marcos-Ntangu,c0f78a69-6aaf-4c31-93be-adf433a03f87.html

FAUSTO DUARTE (1903-1955)

Fausto Duarte, seguindo a divisão cronológica proposta por Filomena Embaló, enquadra-se na 1.ª fase da Literatura da Guiné-Bissau, ou seja no período anterior a 1945, constituída por autores marcados por um cunho colonial. Óscar Lopes e António José Saraiva viram em Fausto Duarte e autores que lhe estavam próximos, uma tendência para "exaltar a exuberância, a sensualidade e a cor da vida tropical".
Fausto Duarte, apesar de oriundo de Cabo Verde, construiu a sua obra alicerçada na sua experiência de vida na Guiné. O seu trabalho mereceu o reconhecimento público dos seus conterrâneos que o premiaram. Escreveu: Auá (Novela Negra) (1934), O Negro sem alma (1935), A Revolta (1943), e Foram estes os vencidos (contos) (1945).

"A MORTE DO OUVIDOR" DE GERMANO ALMEIDA

O escritor cabo-verdiano Germano Almeida (n. 1945) publicou um novo livro com o título A Morte do Ouvidor. O livro trata de um acontecimento histórico, do período pombalino, que envolveu a prisão de António de Barros Bezerra de Oliveira, acusado da autoria moral do assassinato de João Vieira de Andrade, ouvidor-geral de Cabo Verde.
Germano Almeida é autor d' O Testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo (1989) e Memórias de um Espírito (2001).
Ver Eduardo Pitta, Ouvir além da conta, in PÚBLICO, 6/8/2010, pp. 43-44.

terça-feira, 27 de julho de 2010

AZIZA ALAOUI - UMA PINTORA MARROQUINA

Esta pintora marroquina apresentou ao público, recentemente, uma exposição na galeria da Embaixada de Marrocos, na Alemanha, com o sugestivo nome "Encontros".
Segundo Omar Lachheb, as obras de Aziza Alaoui "declinam-se através de reflexos de cores e de luz, como uma forma de diálogo entre as diferentes culturas, e surge delas uma harmonia criativa que valoriza diferentes componentes culturais".
A pintora de cultura universal e cosmopolita, criou uma obra de múltiplos afluentes, como uma árvore, cujas raízes estão em Marrocos, enquanto os ramos estão em contacto com várias civilizações e países, especialmente a Alemanha, país de origem materna e o México onde reside há 18 anos com o seu marido mexicano.
Aziza Alaoui assume-se como sendo um pouco influenciada pelo impressionismo, sem renunciar à sua ligação à corrente abstracta.
Aziza Alaoui viu já as suas obras expostas, em exposições individuais e colectivas, em Marrocos, Espanha, França, México e nos Emiratos Árabes Unidos.
in Agence Maghreb Arab Presse, 24/6/2010.
http://www.map.ma/es/sections/cultura/las_obras_de_la_pint/view

quarta-feira, 14 de julho de 2010

MARLENE DUMAS - PINTORA SUL-AFRICANA EXPÕE NO MUSEU DE SERRALVES

A artista, nascida na cidade do Cabo em 1953, apresenta a exposição "Contra o Muro" que tem como pano de fundo o conflito que opõe Israel e a Palestina. Ao primeiro olhar, os trabalhos poderão ser interpretados como pró-palestinianos. No entanto, não é essa a ideia da artista que como ela diz, o ter vivido o "apartheid" na África do Sul e ter lutado contra esse regime, não fez que visse todos os negros como anjos e os brancos como demónios. Para ela o que está em causa "é o ver o outro como inimigo".
in MARLENE DUMAS UMA PINTORA DA VIDA MODERNA, de José Marmeleiro (textos) e Paulo Pimenta (fotos), ÍPSILON (PÚBLICO), 9/7/2010, pp. 6-11.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

MANIFESTAÇÕES LITERÁRIAS PRECURSORAS DA ANGOLANIDADE

Segundo José Carlos Venâncio, as primeiras manifestações literárias que esteticamente poderão ser consideradas precursoras da angolanidade encontram-se a partir de 1880, num jornalismo que se torna politicamente mais activo e denunciador da situação colonial a que Angola estava submetida, agravada ainda com o fraco desenvolvimento económico-social da potência colonizadora. Os periódicos O Echo de Angola, O Futuro de Angola, , O Pharol de Angola são já praticamente controlados por africanos.
Na imprensa anterior tinham surgido outros títulos: o Boletim Oficial, iniciado, em 1845, pelo governador Pedro Alexandrino da Cunha, foi seguido de muitos outros jornais (A Aurora, O Cruzeiro do Sul, O Echo de Angola, O Pharol de Angola), cujos títulos denunciavam uma carga ideológica influenciada pelas ideias que circulavam na Europa, e em Portugal tinham sido adoptadas pela "geração de 70": o positivismo de A. Comte, o anti-clericalismo, o cientismo.
in José Carlos Venâncio (1992) Uma Perspectiva Etnológica da Literatura Angolana, 2.ª ed., Ulmeiro, Lisboa, p. 20.